Artigo - CARATÊ, ABORDAGEM DO CICLO DE VIDA.

29/04/2010 23:41


CARATÊ, ABORDAGEM DO CICLO DE VIDA.

PELLANDA JR., Orlando José

CEFET-PR - Curitiba - DAINF

Junho de 2000.

RESUMO

Este artigo objetiva esclarecer alguns pontos sobre a prática de artes marciais, destacando o caratê. Para isso, realiza um histórico do surgimento e disseminação no mundo desse esporte. Além disso, pretende mostrar como se deu o desenvolvimento dos diferentes estilos até chegar em uma descrição do que seja o caratê hoje no Brasil e no restante do mundo, os níveis de dificuldades e habilidades de sua prática, bem como o seu ingresso nas Olimpíadas.


ABSTRACT

This article objective to clarify some points about martial arts practice, emphasizing the karate. For this, accomplish a history of its emerging and its disseminating on the world. This article pretend too show how develop its different styles until get a description about Brazil's karate and in the rest of the world, its difficult levels and practice ability, and finally its Olympics starts.


PALAVRAS-CHAVE

Caratê, Histórico.


1. INTRODUÇÃO

Com este artigo tem-se a intenção de apresentar um histórico sobre o caratê para que as pessoas possam conhecer melhor esta arte marcial, pouco difundida nos países ocidentais. Para tanto, serão mencionadas as proposições de diferentes trabalhos, principalmente, dos seguintes autores: GONZALEZ (1985), LUBES (1991) e NATALI (1976).

Em um primeiro momento, este texto abordará as diferentes interpretações da palavra que denomina esta arte marcial, verificando a controvérsia existente com relação à forma correta de se grafar essa palavra.

Em seguida, apresentar-se-á um breve histórico da origem das artes marciais, em geral, para depois particularmente se discorrer sobre o surgimento do caratê, além, é claro, do seu atual estágio. Após será mostrado o surgimento dos estilos.

A continuação deste artigo se dará com uma breve análise do que compreenda o caratê, hoje, no Brasil e no mundo, bem como a sua transformação em uma modalidade olímpica.

Para complementar, abordar-se-á, também, a prática do caratê, mostrando seus níveis de dificuldades e habilidades adquiridas com o treinamento.

Ao final deste texto, chegar-se-á a uma proposta de que para o atleta se faz importante a prática para se atingir um nível em que a arte marcial esteja centrada na união do físico com o espírito, além de conseguir, dessa forma, objetivos paralelos.


2. FORMAS DE GRAFIA

Há muita confusão com relação à forma usada para se escrever a palavra caratê, o que explica as diversas grafias encontradas no país. Isso será abordado neste item para elucidar essa questão.

A palavra KARATE surgiu na cultura brasileira através de trocas lingüísticas com o inglês americano. Não havendo nenhuma palavra semelhante no português, na época, a grafia permaneceu a mesma. Freqüentemente, a palavra era "aportuguesada" e transcrita como "karatê" apesar da letra "k" não pertencer ao alfabeto. Mais tarde, com o uso, a palavra foi transcrita para o dicionário brasileiro como "caratê". Apesar disso, ainda hoje encontra-se escrita em uma dessas três formas.

No entanto, tanto a grafia americana quanto a do português não traz o significado original da palavra. No inglês, a palavra apenas transcrevia os fonemas japoneses com caracteres ocidentais, de duas palavras, que, separa são:
KARA: vazio;
TE: mãos.

Em Japonês, ao falar a palavra karate, estaria sendo dito: "mãos vazias". Parece, em um primeiro momento que a transcrição inglesa dá conta dessa significação, mas mãos vazias significava um tipo de arte marcial dentre os vários existentes atualmente. Para melhor qualificar o tipo, era introduzido ainda na palavra, o morfema "DO", cujo significado é "caminho". Transcrevendo com caracteres ocidentais deveria, então, ter a seguinte grafia: karate-do, significando "caminho das mãos vazias". Quem treinava essa arte marcial seguia o caminho das mãos vazias.

Mesmo sabendo o significado da palavra, não se consegue sabe o seu real sentido. Basta ver as descrições dos dicionários. Um exemplo está no dicionário brasileiro, ao consultar a palavra karate ou karatê se é remetido a consultar a palavra caratê, da qual obtém-se a seguinte descrição: "ca.ra.tê: s. m. Esp. Tipo de luta no qual se empregam as mãos e os pés desarmados." (DIC Prático Michaelis - DTS Software Brasil Ltda., versão 5.1, Maio de 1998).

No Dicionário Ilustrado de Artes Marciais, NATALI (1981), encontra-se a seguinte definição: "Karatê (Do) (japonês) - O caminho das mãos vazias, técnica marcial de origem chinesa. Criada pelo japonês Funakoshi Gichin. Do japonês: Kara = vazio e Te = mão. Técnicas traumáticas baseadas na utilização dos pés e das mãos, bem como das articulações dos joelhos e cotovelos." (NATALI, 1981:84).

Como se percebe, essas descrições não são suficientes para sintetizar o significado de se treinar uma arte marcial que tem como caminho as mãos vazias, pois a arte marcial é mais do que um ensinamento de luta, mas uma autêntica disciplina, isto é, um modo de vida. Seu objetivo de alcançar a união do corpo com o espírito a torna necessário de conhecer a origem e a história desta arte marcial que é comum a todas as demais.


3. BREVE HISTÓRICO DAS ARTES MARCIAIS

Neste item serão abordados os diferentes momentos da história do desenvolvimento das artes marciais e suas ramificações antes da existência oficializada do caratê. Isso se dará com base nos trabalhos de GONZALEZ (1985), MUSASHI (1984), LUBES (1991), NATALI (1981), HISAMOTO, DUNCAN.


3.1 ORIGEM DAS ARTES MARCIAIS

Todas as artes marciais que se conhece atualmente, pode-se dizer, resumidamente, que tiveram a mesma origem, ou seja, há cerca de dois ou três mil anos. Dessa maneira, não se sabe exatamente quando se originou essa filosofia.

Sabe-se que, na Índia, monges em seus mosteiros levavam uma vida de muita oração e meditação. Seu cotidiano era sempre o mesmo: levantar cedo, orar, trabalhar, orar, dormir cedo. Assim, imaginava-se que estavam em sintonia com a natureza e o universo. Porém, esse cotidiano era seguido de pouco rendimento, muita sonolência, entre outros problemas. Por esse motivo, alguns desses monges começaram a observar que na natureza os animais também seguiam um ritual semelhante e, ao contrário dos monges, eles eram vigorosos e fortes.

Os monges passaram, então, a aplicar sua forte capacidade para estudar e direcionaram-na para obter conclusões de como os animais eram tão bem sucedidos e de como os monges poderiam também tornarem-se vigorosos e fortes.

Esse foi o ponto inicial do surgimento das artes marciais. Conforme GONZALEZ (1985), a observação à natureza resultou em exercícios que imitavam os animais, como os tigres, leopardos, víboras, etc.. Tais exercícios não eram necessariamente resultantes de uso de força ou de violência, mas também exercícios suaves e de meditação, pois, segundo a filosofia dos monges, o corpo e a alma são um todo inseparável. Para se atingir o estado de "iluminação", os exercícios eram adequados para o corpo que abriga a alma.

A aplicação de tudo isso resultou num significativo aumento de desempenho dos monges. Devido ao grande êxito conseguido esses conhecimentos começaram a se espalhar. E, por volta dos anos 300 d.C., passaram a ser dispersados por toda a China, onde efetivamente foram seguidos e aperfeiçoados.

A China é um país muito grande, com muita diversidade geográfica e climática. Por isso os ensinamentos comuns oriundos da Índia, começaram a ser adaptados em função dessas condições geográficas, climáticas e culturais. Esse foi o ponto inicial do surgimento dos vários tipos de artes marciais que se conhece atualmente.

Para exemplificar essa questão pode-se pensar na parte sul da China, onde há grandes rios, e havia dedicação maior à pesca e ao cultivo de arroz. Essas atividades acabaram por determinar um desenvolvimento maior da parte superior do corpo, facilitando a criação de técnicas de combate usando braços e cabeça. Outro exemplo pode ser visto na parte norte, com grandes desertos e por isso com grande necessidade de transporte. Isso promoveu um desenvolvimento da parte inferior do corpo.

Surgiram assim, desde então, diversas escolas de ensinamentos dessa arte, cada uma com características próprias, muitas delas usando armas disponíveis na época, como espadas, cordas, bastões, tonfa (instrumento de defesa e ataque, feito de madeira ou borracha rígida, usado, hoje, pela polícia de diversos países), entre muitas outras.

Depois disso, passa-se a um desenvolvimento significativo das artes marciais entre os anos 400 e 520 d.C.. Não só condições regionais eram diferenciais, mas até em uma mesma região podia-se encontrar alguns mestres que introduziam diferenças pessoais. Um ponto a se destacar é que, nesse estágio, essas artes marciais já eram utilizadas para combate, defesa pessoal, etc. Em especial os combates, no quais rebeldes que dominavam essas artes se tornavam ameaças para as dinastias, uma vez que se participassem de rebeliões o controle pelos monarcas seria difícil.

Após 1470 d.C., quando todas as armas disponíveis foram confiscadas e proibidas de serem utilizadas na China, houve um desenvolvimento acentuado das técnicas que usam as mãos, os pés e outras partes do corpo. Além disso, a opressão das populações pelas diversas dinastias transformou o treinamento nessas artes marciais na única forma de sobrevivência. E, é nesse ponto que nasce a arte marcial das mãos vazias, como forma de defesa pessoal. Essa se espalha, entre outras, pelas regiões:
630 d.C.: Mongólia;
750 d.C.: Coréia;
800 d.C.: Birmânia e Japão;
850 d.C.: Tailândia;
900 d.C.: Camboja;
1200 d.C.: Taiwan;
1300 d.C.: Okinawa;


3.2 SURGIMENTO DO CARATÊ

O caratê, como arte marcial, iniciou ao chegar no Japão, através da imigração de monges e rebeldes, que dominavam essas técnicas. Essa imigração ocorreu em conseqüência do distanciamento da espiritualidade das artes marciais, que começaram a existir (como se salientou no item 3.1) apenas como combate, contrariando o ideal iniciado pelos montes.

No Japão, veio o enriquecimento das práticas gerando uma nova disciplina marcial. Nesse sentido, há de se destacar o arquipélago de Okinawa por ter fundamental importância no crescimento das artes marciais no Japão, devido a sua localização geográfica e as vias de intercâmbios comerciais e culturais com a China.

Foi em Okinawa, a maior da ilhas, que originou-se uma arte marcial própria, conhecida com "Okinawa-te", com deslocamentos em linhas retas, que pouco a pouco se mesclou com as formas mais brandas e com movimentos circulares da arte marcial vinda da China.

Isso aconteceu até que em 1600 d.C., a ilha de Okinawa foi conquistada e uma restrição muito severa ao uso de armas foi imposta. Isso provocou o aprimoramento das técnicas de combates sem armas. Como essa prática se dava na clandestinidade, cada povo criou características próprias em suas diferentes práticas. Esse foi o ponto em que surgiram os diversos estilos da arte marcial das mão vazias.


3.3 CARATÊ ATUAL

Mais contemporaneamente, o que se deve destacar neste histórico são as datas, marcantes, a seguir.

Segundo GONZALEZ (1985), em 1902, por exemplo, é quando surgem os primeiros antecedentes público do caratê. Em seguida, após a guerra russo-japonesa, em 1906, são realizadas as primeiras exibições públicas de caratê. Esse foi o início para a popularidade da arte. Já por volta do ano de 1914, havia um grupo de grandes mestres: Kyan, Fosukuma, Chibana, Mabuni, Motobu, Miyagui, entre outros que disseminavam a filosofia e a prática. Isso leva à introdução oficial do caratê no Japão, em 1922, pelos mestres de Okinawa em viagem ao continente. Nesse ano, também, o mestre Funakoshi (1870-1957) realiza uma brilhante apresentação aos membros do Ministério da Educação, quando fica decidido a implementação do caratê como cadeira normal dentro das universidades.

Um ano mais tarde, a arte marcial Judô (JU= paz, DO = caminho: caminho da paz) seria apresentada aos membros do Ministério da Educação, através do mestre fundador Jigoro Kano, com o mesmo êxito, sendo também introduzida como cadeira normal nas universidades japonesas.


3.4 DESENVOLVIMENTO DOS ESTILOS

Como se vê por esse breve histórico, várias escolas de caratê surgiram. Muitas bem sucedidas e que carregam vários adeptos através dos anos, mantendo os ensinamentos originais de seus fundadores. Cada escola marcial, que se tornava forte, tinha suas próprias características tornando-se uma arte em si.

Além disso, a partir do estilo especial de treinar caratê criado em Okinawa, linhas também especiais surgiram, como o Goju-Ryu, Shito-Ryu e Shotokan.Esses se destacam como os principais estilos (mantém-se até hoje, no mundo todo).

Cada estilo possuía dezenas de adeptos. Entre todos eles, alguns se sobressaiam e chegaram a desenvolver a arte marcial a um nível nunca atingido anteriormente. Dessa forma, o destaque e reconhecimento era inevitável. Muitos alunos e seguidores consideravam seus conhecimentos como um livro sagrado, na tentativa de perpetuar seus ideais.

Porém essa perpetuação não ocorreu de forma ilesa, isso, por permitir um grande número de adeptos, que se espalhavam pelo mundo todo, e que acabaram por criar diferentes correntes.

Para denotar essa situação, observa-se a figura 1. Nela estão descritos os três principais estilos e as mais fortes correntes atualmente existentes.


Figura 1: Linhas de Karate derivadas dos principais estilos de Okinawa. (GONZALEZ, 1985: 19)

Atualmente, no Brasil, há adeptos dos três estilos de Okinawa. Somente algumas das linhas são fortes, como: Gojukai e Wadokai.

Algumas linhas sofriam influência de mais de um estilo. Ao contrário do que se imagina, não havia uma mistura dos estilos, mas sim a criação de uma nova linha, como se pode ver estampado na figura 2.


Figura 2: Influência de mestres de estilos diferentes criando uma nova linha. (GONZALEZ, 1985: 20)

Os créditos a cada uma das linhas atuais existentes se deve em particular a uma pessoa, isto é, ao mestre que a criou respectivamente.

Nas figuras 3, 4 e 5 a seguir, são mostrados os principais precursores da linhas atuais do caratê. Assunto a ser enfocado no item 4.


Figura 3: Linhas e Mestres do estilo Shotokan. (GONZALEZ, 1985: 20)


Figura 4: Linhas e Mestres do estilo Shito-Ryu. (GONZALEZ, 1985: 20)


Figura 5: Linhas e Mestres do estilo Goju-Ryu. (GONZALEZ, 1985: 20)


4. CARATÊ NA ATUALIDADE

São muitas as ramificações de artes marciais e do caratê. Neste item serão mostradas as características do caratê, com base em pesquisas realizadas na Internet, SÁ (1982), D'ELIA (1989) e HISAMOTO.


4.1 CARATÊ NO BRASIL

No Brasil, o caratê chegou com os imigrantes japoneses na década de 40. Os treinos, hábito comum nas famílias que chegaram, foi aos poucos sendo assimilado e desenvolvido, também, pelos ocidentais. Durante muitos anos, a prática deste esporte se resumiu a apenas uma atividade familiar. Com o passar do tempo, o grande número de adeptos transformou isso em esporte.

Aqui, ainda há uma barreira cultural muito grande a ser quebrada, pois essa atividade ainda não é considerada como outra qualquer no país. Uma vez que essa sociedade classifica a arte como sendo apenas luta, e isso está sempre ligado à violência, por esse motivo o caratê é, quase que sempre, banido dos grandes círculos esportivos.

Por não ser popular, na hora de considerar por esse esporte ou por um outro de maior penetração social e esportivo, o iniciante, futuro atleta, não pensa duas vezes em deixar o caratê como última opção. Por outro lado, graças a isso, é no caratê que se encontra um número muito maior de atletas que realmente o praticam por gostar e não por esperar retorno financeiro ou publicitário.

Devido à política do país, o esporte ficou vinculado muito tempo a uma Federação Desportiva que não era diretamente ligada ao caratê. Isso limitou muito a sua penetração na sociedade e a sua fixação como um esporte comum.

Uma lei (a "lei Zico", criada quando o grande jogador de futebol Zico foi Ministro dos Esportes) permitiu que a única federação oficial do país que se conseguiu criar exclusivamente ao caratê fosse acompanhada de federações paralelas. Estas novas federações, livres para agir, criaram correntes que não são convergentes, dificultando também sua penetração.


4.2 CARATÊ OLÍMPICO

A prática dessa arte marcial no mundo, hoje, é bastante acentuada principalmente nos países maiores como Brasil, Estados Unidos, Canadá, Espanha e como não podia deixar de ser, Japão, são os países onde há o maior número de praticantes de pelo menos uma das linhas.

No Japão, por exemplo, caratê não é apenas um esporte, é uma filosofia e uma necessidade de se manter corpo, mente e espírito saudáveis. Nos Estados Unidos, os campeonatos são grandiosos eventos utilizados para se obter lucro e divulgação publicitária, entre outros objetivos capitalistas. Na Europa, também, o desconhecimento é bastante acentuado.

Com a disseminação do esporte no mundo todo, permitiu-se que se criasse uma organização mundial ("WUKO"), com confederações em cada país, organizando o esporte tomando força a ponto de se transformar num esporte moderno.

Para isso, fez-se necessário que a prática do esporte fosse uma atividade segura para seus praticantes, de forma que ao ser praticada, trouxesse aos participantes desenvolvimentos físico e intelectual e não pudesse causar riscos físicos.

Durante muitos anos essa tem sido a meta maior do esporte, mas a maturidade demorou mais do que outros devido, principalmente, à prática ser algo mais familiar do que de competição, praticamente no mundo todo. O Judô, por exemplo, conseguiu atingir esta transformação muito mais cedo e por esse motivo já participa de olimpíadas a vários anos.

Para ser um esporte olímpico, uma modalidade esportiva precisa primeiro ser apresentada ao mundo em uma olimpíada. A modalidade será então julgada para a decisão de sua aceitação ou não. Caso não consiga atingir todos os requisitos para ser uma modalidade olímpica, deverá permanecer pelo tempo de vinte anos se reorganizando. Isso aconteceu com a arte marcial conhecida como Taekwendo, por exemplo.

O caratê está pronto para ser apresentado ao mundo. Nas Olimpíadas de 2000 em Sidney - Austrália, estará sendo apresentado ao mundo. Dois atletas curitibanos estarão se juntando com atletas de outras cidades para formar a equipe brasileira que participará nessa modalidade. O Brasil já tem muita experiência de participações em campeonatos internacionais realizados anteriormente entre as confederações mundiais, e pode desempenhar, com nível extraordinário, o papel de apresentar o esporte e de vir a tornar-se campeão, como já pudemos vivenciar com o Judô.

A organização do caratê, na olimpíada, dar-se-á da seguinte maneira: as modalidades possíveis serão individuais e em equipe, masculino e feminino, em todas as idades, de infantil a master.

Nas modalidades individuais, as competições objetivam o competidor com o maior número de vitórias e é claro, nas equipes aquela que obtiver também o maior número de vitórias. Tanto em uma como em outra modalidade, após a divisão entre sexo, peso e idade, há subdivisões por níveis de graduação. Um mesmo atleta poderá participar das modalidades individuais e/ou em equipe.

O número de combinação de chaves acaba se tornando extenso, principalmente se as chaves utilizarem o método de repescagem dupla, isto é, quando o atleta estará fora da competição se ele perder duas vezes.

Há, ainda, dois tipos básicos de competições no caratê: KATA e KUMITE. Kata é um tipo de competição em que é exibido a base da arte marcial, objetivando alcançar a melhor perfeição possível em uma seqüência de golpes escolhida entre diversas seqüências padronizadas de competição. No Kumite, acontece a competição em si.

Com relação aos diferente estilos, no caso de competições de grande porte como as olimpíadas, não existe a divisão por estilo. Há um prévio consenso na padronização das diferenças básicas.


5. PRÁTICA: NÍVEL DE DIFICULDADE E HABILIDADES

Cada pessoa é única, principalmente em si e é única em função da fase e idade na qual se encontra.

O caratê, justamente por considerar os limites individuais importantes, auxilia as pessoas a encontrarem a expansão para esses limites. Uma vez encontrados, os treinamentos permitem isso, sendo mais fácil para alguns e muito mais difícil para outros, dependendo especificamente de cada um. TEGNER (1991) e DUNCAN (1979). No entanto, ao realizar isso, a união com o espírito torna-se cada vez maior.

Nesse esporte que é considerado por muitos como sendo violento, encontram-se muitas pessoas que obtiveram êxito em superar deficiências, como:
dificuldades respiratórias;
dificuldades de inter-relacionamentos;
tendências para a violência;
medo de violência;
etc.

Não há estatísticas oficiais sobre a questão dos benefícios obtidos com a participação em treinos de caratê, mas pode-se facilmente encontrar essas pessoas durante os treinamentos.

Apesar de considerado violento, encontra-se um índice muito maior de pessoas machucadas em esportes considerados muito menos violentos, como o futebol por exemplo, do que no caratê. Isso se deve aos exercícios de auto controle, que são exaustivamente treinados. Por exemplo, em lutas durante os treinos ou em competições, não é permitido causar prejuízos físicos ao adversário. Isto é mais difícil executar, pois exige maior força de controle e de concentração, além da força física, mesmo que sejam utilizados protetores para o corpo.

A execução do Kata, por exemplo, desenvolve habilidades para raciocínios espaciais maiores e mais rápidas pelos seus praticantes. No Kumite, a superioridade física adquirida desenvolve uma habilidade maior pelo respeito aos adversários em aula e, principalmente, fora dela.




6. CONCLUSÃ0

Reduzir mais de dois mil anos de história pouco documentada em algumas páginas é deixar muita informação sem ser abordada. Porém, o objetivo aqui era sintetizar o ciclo de vida do caratê, como forma de resgatar a sua importância na prática dessa atividade marcial.

Além disso, com este artigo foi possível se observar a necessidade da participação do caratê no jogos olímpicos, uma vez que a história dessa arte vem mostrar a sua importância na formação ideológica e filosófica de diferentes povos.

Também mostrou-se, neste texto, que o caratê só é assimilado após ser praticado por um certo período de tempo. Como TOO (1980) expõe, essa arte marcial está centrada na habilidade de unir o físico com o espírito, não se consegue imaginar tal união apenas lendo, porém o que se tentou fazer aqui foi permitir que através do conhecimento de seus fundamentos se percebesse a essencialidade dessa questão dentro da filosofia do caratê.




7. BIBLIOGRAFIA

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fonte: http://www.gojuryu.com.br


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